Uma história de camaradagem luso-brasileira, a título de homenagem
Sempre que recebo notícias sobre algum amigo visitado pela indesejada das gentes, sou acometida de um sentimento de remorso, por falha e omissão. A propósito, esse é um sentimento que experimento quase diariamente em relação aos amigos em geral. A sensação de que não cumpro plenamente o meu papel de amiga. Os dias velozes e aliciantes embrutecem as simples ações cotidianas. Gestos antes corriqueiramente praticados, como o de uma visita não agendada ou de um simples telefonema, a perguntar pela saúde, pela família, ficam sempre na intenção, e lá se vão os dias, os meses... por vezes anos. Não foi diferente quando soube da morte de João Alves das Neves, noticiada aqui no último post. A incômoda sensação de que falhei com o amigo, não praticando nenhuma desses simples gestos nos últimos meses, permaneceu todos estes dias comigo. Incômodo remorso que transformo em lição. Em termos de amizade, não se deve adiar nada, muito menos em relação a quem já passou dos 80 anos, mesmo que o octogenário, como era o caso do Prof. João, não cogite da "visita indesejada" e faça projetos como quem vai chegar aos 100. Como forma compensatória e homenagem póstuma, desde o último dia 12, leio a sua obra e lembro. Conheci o Professor João Alves das Neves em meados de 1989. Já o conhecia sem o conhecer. Conhecia de lê-lo e isso já não é pouco. Já tinha lido alguns de seus livros e acompanhava seus textos no jornal O Estado de São Paulo (um dos maiores do Brasil, onde foi editorialista por mais de 30 anos, jornal que agora "retribui" seus serviços dedicando-lhe uma pífia nota na coluna de "Falecimentos") e no Jornal de Letras, de Lisboa. Da apresentação passamos a uma camaradagem que permaneceu nestas últimas duas décadas. Já no ano seguinte, 1990, a seu convite, participei do I Encontro dos Intelectuais e Artistas Portugueses do Brasil, promovido pelo Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa, instituição por ele presidida e fundada em 1987. Esses encontros, posteriormente internacionais, treze ao todo, sempre idealizados por ele, discutiram importantes questões literárias e culturais no âmbito dos países de língua portuguesa e foram realizados em cinco estados brasileiros (São Paulo, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraná) e quatro em Portugal (dois em Lisboa e dois em Coimbra), quase sempre em parceria com importantes Universidades. O último, o XIII, foi realizado simultaneamente a um Colóquio sobre os 400 anos de Padre Vieira, no Memorial da América Latina, SP, em 2008. Além de professor e jornalista notável, Alves das Neves foi um homem de letras que ultrapassou o papel. Incansável, suas ações, de imensa diversidade cultural, iam da promoção de seminários, encontros, colóquios e exposições, à edição de revistas, como a Revista das Comunidades de Língua Portuguesa, com 22 números, na qual tive a honra de colaborar, compondo o conselho editorial e escrevendo artigos. A abordagem priorizava as questões culturais luso-brasileiras abarcando os 8 países de língua portuguesa. Pesquisador e divulgador incansável da literatura portuguesa no Brasil, dedicou vários números dessa revista a escritores e vultos da história luso-brasileira, como Fernando Pessoa (a figura central dos estudos do Instituto que levava seu nome); Padre Antonio Vieira, Padre Manuel da Nóbrega, Jaime Cortesão, João Ramalho, bem como números dedicados a Macau, Timor, e outros assuntos de igual relevância, quase sempre resultantes de temas apresentados em colóquios e seminários. Com ele viajei a Paris (em 1991 - Colóquio “A IMPRENSA DE LINGUA PORTUGUESA NO MUNDO”, na Embaixada de Portugal na UNESCO, a Coimbra (1997, quando carreguei comigo toda a família) e a Fortaleza (2000) e partilhei de sua inesgotável curiosidade intelectual e prazer das viagens. Hoje me pergunto como pude conviver tão de perto e manter tão estreita camaradagem com alguém que possuía ideias e posturas políticas diversas das minhas. Muito simples, nosso elo foi a paixão pela literatura (Fernando Pessoa na linha de frente - quantas lições sobre o Poeta eu recebi). A vontade comum em contribuir para re-ligar ações entre os dois países também nos unia. Jamais falamos de política (partidária, no caso). Discutíamos políticas públicas culturais do Brasil e de Portugal e de suas respectivas instituições, mas jamais inveredamos por caminhos ideológicos. Tácito e cavalheiresco acordo, sabedores que éramos do pensamento um do outro, respeitando-nos um ao outro. Em outubro de 2008, logo após o encontro no Memorial da América Latina, escreve-me uma carta o Professor, comunicando sua demissão "irrevogável" ao cargo de presidente do CEAFP, alegando motivos de saúde. Pedia-me que o substituísse (à época eu ocupava o cargo de vice-presidente da entidade). Recusei e justifiquei, entre outros, com os seguintes argumentos: "Por fim, e mais importante, é que não me sentiria à vontade substituindo-o na direção do Centro de Estudos, pelo simples motivo de que, apesar de ter ocupado cargos em sua diretoria (para mim, muito honrosos diga-se) as idéias e as ações culturais que sempre moveram o CEAFP (louváveis, imprescindíveis, que deixaram frutos e ficarão como contribuição intelectual da mais alta relevância na cultura lusófona) foram suas, sempre suas, como bem sabe, e a marca de sua marcante personalidade de homem de letras e de cultura ali ficou, ali está. Pouco participamos, pouco contribuímos todos nós, com toda essa bela história. Ali há uma marca, a sua, que, no meu modesto modo de ver, não pode ser transferida, sob pena do Centro vir a ser outra coisa e, se é para ser outra coisa, que seja criada outra coisa." Logo a seguir, em assembléia própria, o Instituto encerrava legalmente suas atividades. Convencido, mas não conformado, imediatamente (fevereiro de 2009) rebatiza o grupo remanescente do Instituto como "Círculo Fernando Pessoa" e funda o blog "Revista Lusofonia - blog dos países de língua portuguesa)" para onde passa a direcionar os textos (seus e de todos nós). Mudavam-se os tempos, mas a sua inquebrantável vontade não. Assim, o "seu" Instituto ganha uma nova forma de vida, virtual e dinâmica, acrescentando também um pouco mais de vida àquela, fisicamente, , já no seu ocaso. O corpo cedeu, mas o espírito não. É esse que ficará, traduzido naquilo que escreveu o Prof. João Alves das Neves. Comigo, ficará também a lembrança da boa e profícua camaradagem intelectual e humana. (dtv). E.T.: Mal coloquei aqui o ponto final, veio-me outra pergunta (cada vez mais tenho perguntas e menos certezas): seria conveniente a publicação de um texto aparentemente auto-referente, quando a sua finalidade era simplesmente a de homenagear o outro? Como diria o Mestre Bandeira, perdoem-me, mas não pude ser outra coisa, tendo em vista meus caminhos, honrosamente, diga-se, cruzado tantas vezes com o os do nosso homenageado.
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Falecimento de João Alves das Neves
Consternada, acabo de receber a notícia do falecimento hoje, em Lisboa, do insigne professor João Alves das Neves, meu amigo. O velório ocorrerá na capela de Pisão de Coja, sua terra natal, na região da Beira Serra, em Portugal, e o sepultamento, na mesma localidade, ocorrerá no próximo sábado, 14 de Janeiro, às 15 horas - horário de Portugal. Emocionada, limito-me a reproduzir a nota oficial do falecimento: João Alves das Neves tinha 84 anos e era uma das mais queridas e importantes figuras intelectuais da comunidade luso-brasileira. Nascido em Arganil, na Beira Serra, foi ensaísta e jornalista. Estudou em Lisboa, no Porto e em Paris, onde se formou na École Supérieure de Jornalisme. Em Lisboa foi redator do Diário Ilustrado e da Agência France Presse, tendo também colaborado nos jornais Primeiro de Janeiro, Diário Popular, Nova Renascença e na revista Ocidente. Entre 1951 e 1954, trabalhou na Radiodifusão Francesa. Fixou-se no Brasil em 1958, onde foi redator e editorialista do jornal O Estado de S. Paulo. Dirigiu a revista Portugália, a revista Comunidades de Língua Portuguesa e a Gazeta do Descobrimento. Foi professor na Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero, na qual chefiou o departamento de Jornalismo. Lecionou ainda na Escola Superior de Jornalismo e no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Empresa, no Porto. Autor de cerca de duas dezenas de obras que abordam vários aspectos das letras portuguesas, brasileiras e africanas. Foi presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa, que pesquisava a cultura Luso-Brasileira e organizador de congressos que aproximaram nossa comunidade. Até o momento presente, era diretor cultural do Clube Português.
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O mar e o poeta do mar
Andei a contemplar o mar nesta semana e recordei-me de um poeta lido com devoção na minha juventude, o santista Vicente de Carvalho (1866-1924), também conhecido como "o poeta do mar". Sabia de cor seus poemas, em especial, Velho Tema e aquele soneto sem título que inicia assim "eu Cantarei de amor tão fortemente / com tal celeuma e com tamanhos brados"... Com os olhos e pele ainda pelo verde marinho impregnados, neste retorno ao planalto, tiro da prateleira o volume "Poemas e Canções" e resgato o encantamento de outrora diante dessa elegíaca voz, hoje injusta e inexplicavelmente esquecida. Aí vai a homenagem ao velho poeta, da velha leitora: Velho tema Só a leve esperança em toda a vida Disfarça a pena de viver, mais nada; Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda. O eterno sonho da alma desterrada, Sonho que a traz ansiosa e embevecida, É uma hora feliz, sempre adiada E que não chega nunca em toda a vida. Essa felicidade que supomos, Árvore milagrosa que sonhamos Toda arreada de dourados pomos, Existe, sim: mas nós não a alcançamos Porque está sempre apenas onde a pomos E nunca a pomos onde nós estamos Alguns excertos do longo poema "Palavras ao mar" Mar, belo mar selvagem Das nossas praias solitárias! Tigre A que as brisas da terra o sono embalam, A que o vento do largo eriça o pelo! Junto da espuma com que as praias bordas, Pelo marulho acalentada, à sombra Das palmeiras que arfando se debruçam Na beirada das ondas - a minha alma Abriu-se para a vida como se abre A flor da murta para o sol do estio. (...) Mar, belo mar selvagem Das nossas praias solitárias! Tigre de que as brisas da terra o sono embalam, A que o vento do largo eriça o pêlo! Ouço-te às vezes revoltado e brusco, Escondido, fantástico, atirando Pela sombra das noites sem estrelas A blasfêmia colérica das ondas...
(...)
Ah, se o olhar descobrisse Quanto esse lençol de águas e de espumas Cobre, oculta, amortalha!... A alma dos homens Apiedada entendera os teus rugidos, Os teus gritos de cólera insubmissa, Os bramidos de angústia e de revolta De tanto brilho condenado à sombra, De tanta vida condenada à morte! (...)
Escrito por Dalila Teles Veras às 22h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Um filme, antes do mar
Antes de descer a serra para olhar, cheirar, sentir o mar, flanar uma vez mais pela cidade (quase) irreconhecível de tão tranquila. Um filme, um café, uma volta a pé pela Paulista. O filme: O último dançarino de Mao. Quequeéisso?! Fiquei doída de tanta beleza! Nietszche que em tudo excedia, disse que "só acreditaria em um Deus se esse deus fosse bailarino". Lembrei disso durante o filme, não sei exatamente em que momento, mas a beleza tem o poder de nos aproximar do sagrado. Tudo bem, alguns cricríticos falaram mal, que o filme é piegas, repleto de estereótipos e clichês, essas coisas. Ora bem, o cineasta australiano, Bruce Beresford (aquele do igualmente maravilhoso Conduzindo Miss Daisy, que os cricríticos também encheram de rótulos, os mesmo de agora, mas que tudo mundo adorou, inclusive a Academia, concedendo-lhe o Oscar), ao que me parece, quis apenas contar uma história, real, um drama verdadeiro. Baseou-se no livro autobiográfico do bailarino chinês Li Cunxin. Li, hoje residente na Austrália, alçou prestígio internacional ao dançar na Companhia Houston Ballet, nos EUA, onde chegou em 1979 como bolsista e rapidamente ganhou o estrelato. Recusando-se a voltar à China (veio com a condição de retornar em três meses) e com isso, causa um cismo diplomático (Mao e seu regime nos estertores). Consegue ficar, mas é proibido de voltar à terra natal. Ora, a crítica cobra do filme um aprofundamento (nas questões políticas, culturais, multiculturais, globalização, guerra fria, sei lá mais o quê!), mas o que se trata ali é de uma história dramática de superação e, sobretudo, dessa arte maravilhosa que é o ballet clássico. O realizador certamente se pautou na visão do autor que, é óbvio, devia ser aquela mesma, de menino ingênuo (ele tinha 11 anos quando foi levado pelo regime para Pequim e 17 quando foi para os EUA), deslumbrado e ao mesmo tempo perturbado com o choque cultural (não li o livro que foi publicado no Brasil pela editora Fundamento, em 2007, sob o título "Adeus China: O último bailarino de Mao"). Ainda assim, está lá contextualizada a época, ainda que seja em pinceladas, posto que este não era o propósito, acredito. O ator bailarino protagonista, Chi Cao (maravilhoso) foi selecionado pelo próprio autor e é filho de dois professores de Li Cunxin quando dançava na Companhia de Madame Mao em Pequim. Afora esse tributo comovente, o ator mostra que mereceu a escolha do mestre. Gostei, gostei. Os números, em especial, o do Lago do Cisne e dom Quixote são arrebatadores e Chi Cao idem. Assumo minha " pieguice" e recomendo o filme com entusiasmo, em especial para aqueles que, assim como eu, estejam em recesso e desejem momentos de pura leveza (que para ficar ainda mais piegas, rima com beleza, rima pobre, admitamos nós!). dtv
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
No meio do caminho: a poesia
A caminho do cinema, na estação trianon, a poesia 
Recipientes poéticos ofertados ao olhar. A poesia que esbarra nos apressados passantes, a poesia no caminho, no caminho a pedra... a inesperada poesia no caminho de milhões 
Neste dia inicial e pós-festa, nem todos os passantes estão apressados e, desarmados, aceitam o convite. Param, olham, apreciam... 
A poesia, sinal vermelho, indicando (novos) caminhos e (novos) olhares
Alguns passantes, param, olham e... fotografam (o registro do olhar? documento para "histórias breves", outras histórias visuais) 
Outros, identificações atávicas, rendem-se 
à arte, ao traço, à palavra, à proposta... fados 
Em tempo: Esta instigante exposição de poesia visual é da artista Constança Lucas, portuguesa radicada em São Paulo e está patente até hoje num espaço inusitado (ao menos para o quesito "poesia"), na estação Masp Trianon do Metrô de São Paulo e, a seguir, vai para outras estações. Os passantes (apressados ou não) nos próximos dias esbarrarão com estas obras lá na Sé. Não deixem de aprecia-las, combustível espiritual para a viagem (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Arquiteturas
Na última quarta-feira fui ver algumas exposições agendadas há algum tempo (delícia passear pela velha cidade de São Paulo esvaziada em pleno "dia de semana"!). Uma delas, foi marcada pela simbologia de um reencontro: almandrade - pinturas esculturas poemas visuais objetos desenhos instalações, na Caixa CULTURAL São Paulo (Praça da Sé) desde o início deste mês. Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade) é um artista baiano, homem de sete instrumentos (Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de Teoria da Arte), cujo trabalho acompanho e admiro há muitos anos. 
Quando falo em reencontro, refiro-me ao reencontro com a arte de Almandrade, posto que só o conheço através dela e aos "milagres" do correio. Ao chegar a casa, imediatamente fui aos arquivos à procura de uma resenha que escrevi sobre um livro de Almandrade (publicada em 2001 no Boletim Abecês, da Livraria Alpharrabio, na coluna Livros Fora do Eixo, posteriormente reproduzida pelo saudoso Zanoto, lá no Correio do Sul, em Minas Gerais e... lá estava, papel já um tanto quanto amareladinho por uma década no arquivo. Não resisto à tentação de reproduzi-la, como forma de homenagem a esse grande artista, poeta e pensador da arte nestes dias reencontrado em São Paulo: Arquitetura de Algodão Tempos atrás. Um sebo, sempre relicário da literatura. No pó, um minúsculo livro, encantador. O nome de seu autor de há muito me era familiar. Arquiteto que fala de arte e cidades com invulgar propriedade em várias publicações culturais destes brasis. Não por acaso o título do livrinho de poemas é Arquitetura de Algodão. Os poemas, sibilinos, são fiéis à arte praticada por seu autor, Almandrade: "nudismo abstrato", conforme classifica Décio Pignatari. O livrinho, artesanal, vai para o pódio, a minha estante dos bons poetas brasileiros, à qual sempre acorro, questão de sobrevivência. Graças a esses caminhos sempre insuspeitados por onde se cruzam as almas cativas da arte e da palavra, chega-me via correio um outro minúsculo livro, desta vez enviado pelo próprio Almandrade: "A Arte de Almandrade - Textos de Décio Pignatari, Hasroldo Cajazeira e Luiz Rosemberg Filho. Pronto, esta li confirmada, por outras vozes mais abalizadas, a minha suspeita sobre a excelência do artista-poeta: "Objetos bons para pensar, os trabalhos de Almandrade se divertem com a inteligência, são como que máquinas devoradoras de leitura (Haroldo Cajazeira). falava o crítico dos trabalhos-esculturas-instalações plásticas mas essas interpretações poderiam perfeitamente servir para pensar os seus poemas, também eles trabalhos visuais. Agora, novamente pelas vias do velho correio, chega-me um belo volume, 130 páginas, com o mesmo título daquele minilivro (ensaio deste?) editado pela Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia, 2000. Difícil saber onde começa o artista, o arquiteto, o poeta. O certo é que eles estão amalgamados, como bem o mostra este poema: "Arquitetura sem Parede - Na suavidade / de um toque / o gozo roça o desconhecido / o saber descobre imagens / a respiração é a vibração de um mundo imaginado / a pintura revela / o azul obsceno da paisagem. Se não tiver paciência de esperar um exemplar desses títulos chegar a um sebo (isso às vezes demora anos), tente com o autor que mora na própria Rua da Paciência, 207, ap. 102, 40210-220 - Salvador - BA" 
Em tempo: A exposição de Almandrade vai até o dia 26 de fevereiro de 2012 e, com sorte, talvez ainda se possa encontrar o excelente catálogo que a Caixa editou, distribuído gratuitamente aos visitantes. Outra exposição de Almandrade, "Um olhar do artista sobre seu trabalho" também pode ser vista no Museu de Arte Moderna da Bahia, até o dia 12.2.12 leia mais, AQUI. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Poesia... mais um
Neste tempo de entrefestas, nada melhor do que ler poesia que sempre diz tudo, já que sobre o Natal muito já falei (e muito, familiarmente, vivencio) e sobre o Ano Novo muitos falaram (e muito falarei) A poesia Houve um tempo em que Schmidt e Vinicius dividiam as preferências como maior poeta do Brasil Quando por unanimidade ou quase nesse jogo tolo de se querer medir tudo Drummond foi o escolhido ele comentou alguém já me mediu com fita métrica para saber se de fato sou o maior poeta? Estava certo Pois a poesia quando ocorre tem mesmo a perfeição do metro - nem o mais nem o menos - só que de um metro nenhum um metro ninguém um metro de nadas Que ninguém se iluda com esta aparente "facilidade coloquial" do autor, Francisco Alvim, ou simplesmente Chico Alvim, como é conhecido por seus pares e como um dia assinou seus poemas. O livro O METRO NENHUM, Companhia das Letras, 2011, no qual está inserido este poema e do qual, como se vê, foi retirado o título, reúne sua produção poética posterior a Elefante, publicado pela Companhia das Letras em 2000. Naquele mesmo ano a Editora Cosacnaify reuniu num só volume toda sua produção poética, desde Sol dos Cegos, 1968. Façamos as contas: 87 poemas em 10 anos, média de um poema por mês! O próprio autor oferece as chaves para compreensão desse "metro" e "ritmo" de escrita: ao ser convidado pela Editora a organizar os poemas daquele período, Alvim concordou com a seguinte ressalva "Desde que com direito a mudar e pedir prorrogação no último minuto do último segundo. E preservado o sagrado direito de roer a corda por motivo ético indubitável". Assim, o poeta levou mais de um ano na tarefa de organizar, reescrever uns e escrever outros poemas. Daí, dá pra perceber, que não há facilidades em poesia, só dificuldades, impostas, sempre, pelo próprio poeta. Tido por alguns como herdeiro oswaldiano (ao menos neste "Não disse? Eu sabia" deste novo livro, o parentesco com o célebre "Amor humor" de Oswald fica evidente) Alvim vai além do mestre na radicalidade experimental, não só na concisão, mas, sobretudo, na ironia do olhar sobre o cotidiano. Em certos poemas, essa radicalidade (leia-se hermetismo) chega a ser desconcertante. Um biscoito que, se já não era comido pela massa na década dos vinte, dificilmente o será hoje, como preconizou o protagonista de 22. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Poesia... Perguntas...
O caso do século Era para ter sido melhor que os outros o nosso século xx. Agora já não tem mais jeito, os anos estão contados, os passos vacilantes, a respiração, curta. Coisas demais aconteceram, que não eram para acontecer, e o que era para ter sido não foi. Era para se chegar à primavera e à felicidade, entre outras coisas. Era para o medo deixar os vales e as montanhas. Era para a verdade atingir o objetivo mais depressa que a mentira. Era para já não mais ocorrerem algumas desgraças: a guerra por exemplo, e a fome e assim por diante. Era para ter sido levada a sério a fraqueza dos indefesos, a confiança e similares. Quem quis se alegrar com o mundo depara com uma tarefa de execução impossível. A burrice não é cômica. A sabedoria não é alegre. A esperança já não é aquela bela jovem et cetera, infelizmente. Era para Deus finalmente crer no homem bom e forte mas bom e forte são ainda duas pessoas. Como viver - me perguntou alguém numa carta, a quem eu pretendia fazer a mesma pergunta. De novo e como sempre, como se vê acima, não há perguntas mais urgentes do que as perguntas ingênuas. Este poema, atualíssimo (os bons poemas são sempre "atuais") que vem a propósito deste final de ano e, de certa forma também de década que já deixa longe o século XX, é de Wislawa Szymborska (pronuncia-se mais ou menos Vissuáva Chembórska, diz Regina Przybycien, a excelente tradutora) e foi publicado no livro "poemas", Companhia das Letras, 2011, o melhor livro de poesia que li neste ano. A língua polonesa, tão desconhecida e impronunciável para esta escriba, ainda que falada por 60 milhões de pessoas, foi distinguida quatro vezes com o Prêmio Nobel, curiosamente, duas vezes atribuídos a poetas: o primeiro foi Czeslaw Milosz, em 1980, e o segundo para Wislawa, em 1996, ambos até hoje pouquíssimo conhecidos no Brasil (tenho um pequeno e precioso volume de Milosz em minha biblioteca, "Não mais", na coleção poetas do mundo, da Editora UnB, e da Wislawa, conhecia alguns poemas traduzidos por Aleksandar Jovanic numa coletânea de poetas eslavos. Vozes poderosas (Milosz morreu em 2004, aos 93 anos) e Szymborska nasceu em 1923 e ainda vive) que bem souberam dizer do Século que suas vidas longevas atravessaram e que bem merecem leitura e conhecimento em nossos alegres trópicos. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Catando milho
Recolhida na caverna (que medo! a loucura nas ruas... a loucura nas pessoas), assumindo-me antiga, voltei, como se dizia no meu tempo a "catar milho". Claro que todo aquele(a) que hoje esteja abaixo da linha dos sessenta não tem a menor ideia do que seja essa expressão (catar milho). Explico: Pelos muitos e valorosos serviços prestados à escriba, havia aposentado há um bom tempo, minha velha Olivetti Studio 45 e foi com grande remorso que a reencontrei empoeirada, engrenagens emperradas, em deplorável estado de abandono. 
Erro reconhecido, mandei lubrificar a maquininha, colocar uma fita nova (preto e vermelho) que agora, reluzente e poderosa, volta à ativa, disputando espaço com o Windows7 e sua igualmente reluzente e poderosa tela.

O único problema é que da ligeireza datilográfica de antes, só sobrou mesmo a memória. Agora, os dedos viciado à leveza do toque eletrônico, voltaram a "catar milho" nas outrora tão familiares teclas suspensas. Não faz mal, já, já, volto à antiga forma (afinal, só mesmo pessoas antigas possuem esse tipo de capacidade). Por hora, vou datilografando os nomes dos destinatários e respectivo remetente nos envelopes (ah! sim, ainda mando cartas pelo correio antigo) e... bem... reinventando novos usos para a tão estimada (agora sei) máquina de escrever que, por mais de duas décadas, esteve a meu serviço. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 22h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Sodade
Sodade sodade Sodade Miss Perfumado Até sempre
Escrito por Dalila Teles Veras às 23h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Viagem - diário de bordo - fim
Quantas cidades há numa cidade? Estetoscópio invisível, ausculto. Tento sentir o pulsar, ouvir o que me dizem os sinais. Sigo a corrente de gentes, a ver onde entram, onde comem, onde descansam, onde trabalham, onde se divertem. Interessam-me as ruas e as gentes que por elas transitam. Interessam-me também os que estão atrás das janelas, no silêncio dos edifícios. O que me dizem seus corpos? O que me dizem os produtos que exibem esses corpos? De que me fala a multidão que invade o parque numa manhã de domingo, circulando por entre as barracas de artesanato, antiguidades, grupos de meditação e capoeira, garrafas térmicas e erva-mate? Que histórias poderá me contar o lambe-lambe freitas, teimoso recolhedor de imagens antigas, em flagrante enfrentamento digital? O que dizem os homens e mulheres que circulam pelas centenas de bancas do mercado público, escolhem a erva-mate ou o blend do espresso, a salada de frutas com natas ou sorvete da Banca 40? O que levam para casa os visitantes do margs? O sabor do filet com molho de mostarda do bistrô ou os olhos repletos das cores armazenadas em suas salas? De que me falam os homens que jogam dominó na praça da alfândega e das mulheres no final de tarde à busca de clientela? Quais as vozes das salas quase vazias do esplêndido edifício projetado pela arquiteto português álvaro siza? De que me falam as bicicletas, os carretéis e os seres angustiados do angustiado grande artista gaúcho? O que dizer de um museu que esqueceu do seu patrono, um dos maiores escritores brasileiros, confinando-o a um minúscula sala só encontrável após muitas perguntas e pouquíssimas respostas? O que me dizem as caixas de correios, os uniformes das primeiras carteiras, os aparelhos de telegrafia, métodos de comunicação humana pré-era virtual? Que estranhas conversas podem ser ouvidas na sala de cinema que outrora abrigou o cofre de um banco? Que moedas podem ali serem trocadas? Quais as sensações que meus já tão navegados anos recolhem de um passeio de barco pelo guaíba, o rio que é um lago, lago que os habitantes recusam reconhecer? Que ângulo registrará a fotógrafa na paisagem enquadrada? Que é feito das vozes que entoaram preces e estancaram as cores da catedral? Qual a temperatura dos fornos desativados da usina que não é mais usina, mas também não cumpre plenamente o seu novo e moderno papel cultural? O que teria pensado e não escrito o poeta confinado nas paredes daquele modestíssimo quarto de hotel, onde fez da morada provisória um viver (quase) eternizante? O que planeja para depois da saída o Chef que orquestra todas aquelas panelas, o garçom que sugere o entrecot, o alfarrabista cheirando a pós e suor? Por onde andarão os homens que passaram apressados pelos ladrilhos hidráulicos sob o velho viaduto e mijaram nas belas colunas do arcos, passarelas a lembrar as quatro estações? Recolho, recolho, recolho... palavras para um geografia íntima, pessoal e intransferível. (dtv) Fontes (Cidade: Porto Alegre): - Mercado Público Municipal (Edificação de 1869. Após enchentes (1941) e incêndios (1976), foi inteiramente restaurado e reinaugurado em 1997). Atrações: O Café do Mercado, Banca 40, Padarias e bancas de erva-mate 

Brinque da Redenção (antiguidades e artesanato) - Parque Farroupilha, domingos pela manhã 
- MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega) 
- Santander Cultural (R. Sete de Setembro, 1028)

- Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000) 


- Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart) 
- Catedral Metropolitana (R. Duque de Caxias) 
- Centro Cultural Erico Veríssimo (Prédio Força e Luz) Ruas dos Andradas, 1223) 
- Casa de Cultura Mário Quintana (Antigo Hotel Majestic) e Café dos Cataventos - Rua dos Andradas

Passeio no Barco Cisne Branco (Portão Central do Cais do Porto) 
Prédio Histórico e Museu dos Correios e Telégrafos (Praça da Alfândega) 
Escrito por Dalila Teles Veras às 15h37
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Viagem - diário de bordo III
Das mais de 20 capitais brasileiras que já visitamos, Porto Alegre, agora revisitada (a primeira vez, foi no final dos anos 80, quando lá fomos especialmente para a bela e tradicional Feira do Livro, há décadas realizada ao ar livre, na Praça da Alfândega) talvez seja a que tenha me apresentado mais dificuldades na sua descrição e definição. Bem... com a devida data venia dos gentis irmãos gaúchos, expressarei aqui apenas algumas observações de visitante apressada e, quem sabe, inconveniente.. Ainda assim, vamos lá:
- Porto Alegre possui cerca de um milhão e meio de habitantes, mas nem parece.. - A população de Porto Alegre cresce a um ritmo comparado ao da Suiça, 0,35% (dizem os especialistas que, se continuar nesse ritmo, levará dois séculos para duplicar a população atual), o mais lento do país (Brasília, cresceu - cruz, credo - 2,28% em 2010! nem tanto ao mar nem tanto à serra, como diria minha mãe, que sempre escolheu o caminho do meio), mas a comparação fica por aí e nem seria essa a intenção. O ritmo do cotidiano na cidade, ao menos para quem vem da enlouquecida São Paulo, é igualmente lento. A maioria dos restaurantes da região central serve refeições no reduzido horário das 11h às 14,30h. -Porto Alegre é a capital do estado que ocupa o 4º maior PIB do país, o Rio Grande do Sul, mas nem parece... - Porto Alegre é uma cidade (ainda) muito verde, como dá para notar pelos enormes parques e ruas arborizadas; preserva, como poucas cidades brasileiras fundadas à mesma época (meados do Século XIX), um admirável e imponente conjunto arquitetônico, datado do início do Séc. XX, de inquestionável beleza, mas... parece tão sisuda! Até seus monumentos, via de regra erigidos em memória de heróis militares, reforçam essa impressão. Até aí, nada demais, a maioria dos visitantes diz o mesmo de São Paulo e eu não concordo em nada com isso... 
Acontece que, em linhas gerais, deu-me a impressão de uma cidade um tanto quanto "maltratada". A lamentar, em especial, o centro velho (no entorno e na própria Praça da Alfândega) e o visível mau estado da Casa de Cultura Mário Quintana (belo edifício do antigo Hotel Majestic, onde o poeta residiu por 12 anos, de 1968 a 1980 - o seu quarto, foi reconstituído com seus objetos pessoais e o seu viver franciscano emociona os visitantes) 
bem como a Usina do Gasômetro, ambos edifícios de grande valor simbólico, histórico e arquitetônico, mas que encontram-se com aparência (de forma mais aguda, as dependências internas) mal cuidada, a necessitar de limpeza, restauro e revitalização, incompreensível desleixo, incompatível com o padrão de riqueza de um estado que ocupa o quarto lugar no ranking econômico do país.  
Ainda na cidade, li notícias que dão conta de que a reforma da Casa Mário Quintana, que se arrasta há tempos, finalmente arrancará graças a uma parceria firmada com um banco estatal, o Banrisul. Helas! Tomara. O mesmo não acontece com os equipamentos que ocupam prédios igualmente importantes e históricos, mas são gerenciados por empresas privadas. De alguns, falarei no próximo post, encerrando este diário de bordo que já vai bastante atrasado, atropelando os acontecimento do pós-viagem. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 19h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Viagem - diário de bordo II
Nós fomos...
 e celebramos... o teatro do SESI PA abarrotado (1.200 pessoas)  e foi espetacular... Igual e sempre diferente esse moço... (não dança, mas faz dançar; pouco sorri, mas faz sorrir e alegrar; interpreta-se e faz o povo cantar) 
Não se desespere. De acordo com minha informante e fã nº 01 do rapaz, ele estará em Sampa no mês de março de 2012. Informe-se e fique esperto(a), pois os ingressos se esgotam em questão de minutos. Foi assim (não ficamos espertos) que perdemos o show da Bethania (cantando Chico) aqui mesmo, ao pé da gente. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 20h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Viagem - diário de bordo I
Basta fechar a mala, a pergunta de sempre: viajo para quê? Basta ouvir aquela voz impessoal dos alto-falantes de um aeroporto para sentir-me em terra estranha, estrangeira sempre (ainda que no próprio país de residência): sou outra, ouço o outro, anoto o outro: Aeroporto de Congonhas (almas) cena um, estacionamento: - Jovem, camisa social, gravata, paletó no braço, desce do carro visivelmente apressado após estacionar na vaga destinada a idosos,. Comento em voz alta: todos agora são idosos, sem aparentar idade! Segundo depois, reencontro o moço no elevador; quando me vê, sai, sacudindo-se raivoso (envergonhado pelo flagra?) em direção a outro elevador. Ahahaha! A vingança da narradora, engolida ainda morna. cena dois, saguão de embarque - Notebook aberto, homem de meia-idade, ao celular: - se não pipocar, dá negócio sim! - -Outro homem, tomando café, conversa com outro homem, tomando cerveja: - Vai dar xabú! O prejuízo é grande! - Jovem, quase menina, ao celular: Oi, mãe, cheguei! Tri-legal, sim, é igual a carro, muito chic! Estou no aeroporto com o pessoal esperando a Van. Andei pra caramba e até precisei tomar um ônibus aqui dentro do aeroporto, é muito grande! Chic no último! cena três, sala de embarque II - casal muito jovem, abraçado, dança (de onde viria a música que, nós, espectadores desamorados, não ouvíamos?) Almas em desassossego... 
Basta ouvir o ronco do motor, afivelar o cinto, pronto: agora, tudo é literatura, matéria para literatura. Viajar para ver, entranhar, escrever, ficcionar. Das irrealidades produzir realidades. (dtv)
Escrito por Dalila Teles Veras às 21h38
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Tempo, tempo, tempo... tempo(s) II,
Dentre outros, o tempo tem sido tema recorrente em minha poesia, desde Lições de Tempo (1982), como o próprio título já indica. Agoniada com essa questão, digitei rapidamente o texto aqui postado ontem, para só algumas horas depois me dar conta de que a minha amiga Constança Lucas havia me mandado por email um de seus poemas visuais justamente com esse tema e que o ilustra (e elucida) à perfeição (ou seria o meu texto que, inconscientemente tentou "ilustrar" com palavras o poema visual da Constança?). Teria aquela bela imagem ficado no meu subconsciente e provocado o texto sem que, conscientemente, eu o tenha invocado? Sincronicidades, "inconsciencidades", seja lá o que for, o fato é que a sintonia existe há quase três décadas e precisa ser celebrada. Autorização concedida, aí vai o poema, com a minha homenagem à artista, celebrando uma vez mais uma parceria que já tanto dura. (dtv)

Escrito por Dalila Teles Veras às 13h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
|