À Janela dos Dias - dalila teles veras


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A partir de hoje o Blog À Janela dos Dias estará em novo endereço:

 À Janela dos Dias 

 

 

 

Ficarei muito feliz em poder contar com sua visita

Dalila Teles Veras



Escrito por Dalila Teles Veras às 17h50
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Diuturnos

segunda 15   como é que o corpo adivinha as imposições do calendário? quem teria dito ao meu que hoje é segunda e não há licença para ceder ao ócio e à preguiça?

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)



Escrito por Dalila Teles Veras às 21h00
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Diuturnos

domingo 14   versos à boca da noite ditos por quem sabe dizer, arrebanham público para fomento das artes cênicas marginais da cidade. o ator recolheu poemas e, sem a velha fórmula do recital, transformou-os em peça teatral. um fio dramático a urdi-los e o conflito da velhice de permeio – toda a dignidade que a poesia merece

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)



Escrito por Dalila Teles Veras às 20h37
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Diuturnos

sábado 13   o balé do teatro guaíra inunda literalmente o palco do teatro local, na verdade, um grande ginásio, de acústica ruim. a dança na chuva causa impacto na platéia – um hollywood tardio mas, ainda assim, renovado

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)



Escrito por Dalila Teles Veras às 22h44
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Diuturnos

sexta 12   um corpo não é apenas aquilo que pensa. um corpo sedentário dá respostas malcriadas, range nas juntas e recusa sustentar-se como deveria, ou seja, como verdadeiro homus erectus. mente sã em corpo insano é uma tragédia que a milagrosa terapeuta, detentora de modernas técnicas de rpg (não, não se trata de nenhum jogo para adultos brincando de criança, a sigla vem de reeducação postural global) há de curar

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)

 



Escrito por Dalila Teles Veras às 19h21
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Saudade

à memória de minha mãe, Maria Lourdes, que me iniciou nos caminhos da poesia

 

 

Vestígios

       “Mas de tudo fica um pouco” Carlos Drummond de Andrade

 

nas trovas esparramadas

nas agendas telefônicas

nos bilhetes apressados

:

a tua caligrafia

 

na memória das gavetas

nas revistas por abrir

no lugar vazio à mesa

:

imaterial presença

 

no casaco com teu cheiro

no chocolate abocanhado

no shampoo pela metade

:

vestígios do que foi vida

irremediável ausência

 


Memória

 

Em meu dedo

o teu dedal

 

(tento, mãe

costurar tua memória

prender-te ao que me resta)

 

Incertos pontos

que a vista embaçada

não deixa urdir

 

(in, Retratos Falhados, Escrituras, 2008)



Escrito por Dalila Teles Veras às 19h03
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Diuturnos

quinta 11   os poucos presentes ao teatro bocejam ante os tropeços de uma atriz, fora do seu papel, que se diz espécie de consultora e comporta-se como apresentadora de tv. anuncia a inauguração de um corredor cultural do qual ela mal ouviu falar. o chato cerimonial das inaugurações oficiais substituído pelas gracinhas proferidas pela beldade contratada para alegrar a patuleia. mais uma vez aquilo que seria um desejável processo é “inaugurado” com o tratamento de espetáculo, evento. no saguão do teatro, o público só quer saber dos acepipes oferecidos. tanta festa... falta pão e sobra circo

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)

 

quarta 10   a síndrome do pp (pré-prelo) não é fantasia da imaginação, ela verdadeiramente existe porque a causa existe. um livro prestes a receber a tinta da máquina impressora é terreno minado: ao primeiro descuido, uma explosão (pior: sempre depois da primeira prova). hoje, trago as pestanas queimadas por

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)



Escrito por Dalila Teles Veras às 21h56
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Um diário no ano 2000 para ler lido em 2013

Após a experiência de um diário literário no ano 1999, que resultou no livro Minudências (Alpharrabio Edições), repeti a dose em 2000, radicalizando literariamente os registros, abolindo nomes. As anotações partiram sempre de fatos reais, mas que, ao serem transformados em literatura, dispensavam ser nomeados ou "narrados" em minúcias. Eram já outra coisa. Esse livro ficou inédito até 2012, quando, pelas mãos generosas de Luzia Maninha, apoiada por Valdecirio e contando com a cumplicidade e de alguns amigos, veio a ser publicado em junho último o Diuturnos, lançado durante uma comovente homenagem que me prestaram alguns amigos para lembrar os 30 anos de vida literária.

Em janeiro último, ao abrir uma nova janela (leia-se facebook) no  amanhecer do anos 13 deste Século XXI, pensei que talvez pudesse ser uma experiência interessante (ao menos para mim) poder perceber o que ocorre com um texto escrito há 13 anos, muitas vezes anotado primeiramente à mão, em cadernetas de bolso, a seguir digitado no computador onde repousou por 12 anos em binária escuridão, novamente foi para o papel, para o gesto fundador e, agora, poder ser lido na tela.

Resolvi, assim, publicar na rede social os 365 textos do livro, diariamente, como se no momento da postagem fossem escritos. Venho publicando religiosamente um texto diário no Facebook e o retorno é muito interessante, inclusive de pessoas que procuraram pelo livro impresso, não se contentando com a dose homeopática diária.

Considerando que nem todos que eventualmente passam por esta janela são usuários do Facebook, passarei, a partir de hoje a postar também aqui o texto do dia. Ei-lo:

 

terça 9   entre as folhas de um livro velho de medicina, cartas antigas de um amor antigo: na primeira delas, a jovem estudante, desterrada num colégio interno, há longos e intermináveis oito dias, suspira pelo amor deixado lá fora. na segunda, desespera-se, sabe que precisa estudar, mas faz-lhe falta a presença física do amado. à sensação de invasão de privacidade, mistura-se um certo formigamento imaginário, atiçando interrogações do voyeur: que teria ele respondido? foi ao seu encontro na paraíba? casaram-se, afinal? a moça teria concluído seu curso? encontrou outro amor? vivem? tudo é novidade nas páginas de um livro ainda não lido, inclusive aquilo que se escreveu e foi esquecido entre suas folhas. uma sala alfarrabista é também estação de embarque para viagens alquímicas da imaginação

 

(in Diuturnos, um diário no ano 2000, Dalila Teles Veras, Alpharrabio Edições, 2012)



Escrito por Dalila Teles Veras às 21h13
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