À Janela dos Dias - dalila teles veras


Memória e Tv

Pergunto ao frentista do posto onde abasteço o carro, se o Janio (sem acento) de seu nome foi uma homenagem ao ex-Presidente da República (com acento). Simpático e bem humorado como (quase) todo nordestino (sergipano), ele me diz que não, senhora. Quando nasci, em 1974, lá em casa não havia televisão e ninguém sabia desse tal de Jânio. Meu nome já estava escolhido, mas aí eu nasci num dia primeiro de janeiro e então meu pai resolveu homenagear o mês de meu nascimento, então ficou Francisco Janio.

Pois é, pensei eu, presidentes da república passam e, ao que parece, só ficam na memória de quem vê televisão (para alguns até que isso vem a calhar, né não?).

Como não assisto Tv... O que guardará minha memória futura? Bem que meu pai me alertou que ler muito faz mal à vista e ao juízo (e eu não o ouvi).  



Escrito por Dalila Teles Veras às 21h00
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Netos

Já que a Janela está aberta para a vida cá dentro, vamos lá a mais um confiteor (Ai! meu Santo Agostinho, valei-me e emprestai-me uma fração do encantatório poder da  Sua palavra!)

André, o neto número três, nem por isso o terceiro na escala dos afetos, em pé de igualdade com os de número um e dois, completou hoje seu primeiro ano de vida e comemorou a data na posição de homo erectus, visto que hoje essas criaturinhas de Deus já nascem homo sapiens a nos dar lições de vida o tempo todo.

 Pra não  ficar atrás, Murilo, o neto número dois, quase irmão gêmeo, de pais diferentes, que também já ensaiava passos independentes, decidiu não ficar pra trás e lá foi, todo garboso, ganhar também o direito ao mesmo status. O sorriso de ambos bem demonstra a satisfação da conquista da nova etapa. Caminham lado a lado, como se irmãos fossem e são. Claudicantes ainda nos passos, mas absolutamente seguros do imenso cobertor afetivo que os cerca. Que os anjos que os receberam ao nascer continuem ao seu redor, protegendo-os e indicando caminhos, os melhores. O mundo bem que carece de novos homens com almas antigas. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h14
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Estatística Poética, constatações, propósitos

Poetas morriam cedo (de tuberculose, de excessos de toda espécie ou de vontade própria)

 Álvares de Azevedo (21), Junqueira Freire (23), Castro Alves (24), Mário de Sá-Carneiro (26), Florbela Espanca (30), Ana Cristina Cesar (31), Mário Faustino (32),  Fagundes Varela (34), Byron (36) Rimbaud 37 (mas escreveu só até os 21 anos e aos 18, suas obras-primas), Edgar Allan Poe (40), Gonçalves Dias (41), Paulo Leminski (45), Baudelaire (46), Pessoa (47), Mário de Andrade (52), Camões (56)

Na vida breve, obras duradouras. Reconhecidos em vida uns, outros só muito depois.

Com um pouco mais de sorte, alguns duraram um pouco mais, deixando obras não menos duradouras dos que cedo foram chamados pelos deuses.

Cecília (63) Oswald (64); Vinicius (67), Guerra Junqueiro (73), Murilo Mendes (74), Haroldo de Campos (74), Guilherme de Almeida (79)

Outros, poucos, igualmente de primeira grandeza, passaram (ou chegaram muito próximo) dos 80, bafejados que foram pela sorte ou pela predisposição genética

Cabral (79), Bandeira (82), Drummond (85), Eugênio de Andrade (82), Octavio Paz (84), Sophia de Mello Breyner Andresen (85), Ezra Pound (87), William Carlos Williams (90)

Sublinhe-se que, na quase totalidade dos casos de longevidade, o melhor da obra de cada um deles não se deu nos últimos anos, mas na metade do caminho, como ocorreu com Dante, aos 36. Assim, chega-se à conclusão que a decadência física (salvo honrosas e notáveis exceções - leia-se Manuel de Oliveira, 103, Oscar Niemeyer, 104, em pleno exercício das respectivas profissões) é irmã da decadência intelectual.

Elaborei esta mal-costurada "estatística", esdrúxulo exercício, que não só me fez chegar a  esse desanimador resultado, como também me colocar diante de outra ainda mais preocupante constatação: a maioria desses escritores não ultrapassou a idade em que hoje me encontro.  Inevitável a percepção agudíssima de finitude . Confesso que até há bem pouco essas questões não chegavam a me sobressaltar...

Publiquei meu primeiro livro em 1982 e nestes exatos trinta anos de escrevinhações, cerca de outros quinze volumes vieram a lume (como se dizia nos velhos tempos). De permeio, centenas de crônicas em jornais impressos e virtuais, ensaios em revistas e periódicos literários e, mais recentemente, blogs.  É tempo demais e suficiente para dizer o que  tinha que dizer. Se não o disse da melhor maneira possível é porque não estava ao alcance de o dizer. Foi o que podia ser.

Quanto ao que vou escrevendo aqui, bem... isto aqui não tem compromisso literário nenhum, trata-se apenas de um exercício a pretexto de conversa com aqueles que passam por esta janela e, quando aberta, param para uma prosinha.

Ainda assim, uma confissão (mais uma): Como Oswald, que morreu na minha idade, também rezo e não quero nem vou ficar jamais como o velho inglês (ainda que me repetindo e andando à roda de velhos e obsessivos temas):

Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm

(Oswald de Andrade, Primeiro caderno do aluno de poesia)

 



Escrito por Dalila Teles Veras às 22h09
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Fulgurações

Trafegando hoje pela Estrada Índio Tibiriçá, Rádio Cultura sintonizada, fui agraciada por um momento fulgurante, desses que podem ocorrer a qualquer momento, mas que para percebê-los, é preciso estar fatalizado.  

Indiferente aos motoristas apressados e seus gestos de impaciência, diminui a pressão do pé no acelerador, aumentei o volume e deixei-me envolver pela música de Villa-Lobos.  O magnífico canto coral à cappella da "Missa São Sebastião", invadiu todos os sentidos e se misturava plasticamente ao rosa branco verde das margens. Momento único, avivado pelo brilho esplêndido da clara manhã de verão. A felicidade estava ali, ofertada pela natureza (o sol, os manacás e quaresmeiras em plena florada) e pelo homem (a música do Villa, que se apresentava em sua culminância na parte final, o Agnus Dei, Sebastião! Protetor do Brasil). Comunguei daquele momento com fervor.

 É nessa felicidade que acredito, cintilações que nos aproximam de algo próximo do sagrado, como o abraço verdadeiro daqueles a quem queremos bem. O universo que se manifesta por uma centelha, mas é captado em toda sua plenitude, a dizer que, sim, tudo vale a pena, (inclusivamente a raiva, a tristeza e o sofrimento) e a alma jamais ficará pequena se permanecer alerta aos sinais.  (dtv)  



Escrito por Dalila Teles Veras às 16h01
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Excesso de informação causa amnesia

Em impagável entrevista à revista Época (aqui) Umberto Eco reafirma aquilo que vem dizendo desde os anos 80 do século passado: "O excesso de informação provoca amnesia" ou seja, é quase impossível a um cidadão filtrar o brutal volume de informações com que é agredido diariamente. Mas há um consolo: "a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário". Ou seja, quanto mais se sabe, mais facilidade em "filtrar". O saber (o compreender) precisa vir antes da informação. E tem mais, o moço comprou um iPad (pode?) porque descobriu nessa ferramenta "um auxiliar de leitura". Vale a pena ler a bem humorada entrevista do grande escritor e pensador italiano, de quem sou fã de carteirinha e sobre quem já falei aqui por mais de uma vez. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 21h40
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Janela reaberta

A janela fechada por 12 dias não significa que a escriba tenha batido em retirada. Ao contrário, por trás desta janela há vida, mas um tanto quanto desarrumada e não convém abrir janelas que se abram para ambientes em desordem ou desassossegados.

Os trabalhos e os dias deste janeiro foram insanos e imensos (verão molhado, goteiras, faxinas, jardins a carecer de podas e retirada de ervas daninhas, férias de auxiliares contratados e voluntários, alguns já nos seus postos outros por chegar, gestação de ideias e projetos, conversas), um não terminar de manhãs e por-de-sóis de muitas estações numa única estação. Janeiros.

Janeiro é sempre um tempo de recolha e projeção, de "vidas para guardar e de vidas para viver" como disse a personagem de um filme maluco que vi por estes dias, recomendado pela amiga com quem partilhei conversas e projetos.

Janeiro é mês de arrumar a casa e, na azáfama, nem sempre sobra tempo para abrir a janela e contemplar a paisagem lá fora e muito menos deixar que a paisagem cá dentro, desarrumada, seja contemplada pelos passantes.

Hoje a escriba passou o dia no seu espaço paulistano predileto, a Pinacoteca do Estado, comeu lasanha e a dividiu com um sabiá que fez um vôo rasante na área externa do Café, o Jardim da Luz ao fundo. Percorreu a exposição de longa duração que (re)exibe o velho e precioso acervo de arte brasileira, de forma didática e sedutora. Atravessou a rua e visitou o irreverente Oswald que por ali também vadiou no início do século passado e deixou seu espírito demolidor, o nosso eterno Serafim Ponte Grande, aquele que tinha um canhão e não sabia atirar. Com Oswald (re)descobri que "há muito mais gente boa por aí do que se propala" e, em parceria com o bardo, garoto propaganda de 22, re"elaboro um manual de paixões".

 

 

 

Um domingo certo e ensolarado para encerrar o mês certo da estação certa. Um domingo que convida a escancarar a janela e deixar fevereiro entrar, encontrando a  "casa limpa, a mesa posta, cada coisa em seu lugar", como diria o velho poeta manu, mas, no nosso caso, para esperar outras gentes, as desejadas. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h23
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Uma história de camaradagem luso-brasileira, a título de homenagem

Sempre que recebo notícias sobre algum amigo visitado pela indesejada das gentes, sou acometida de um sentimento de remorso, por falha e omissão. A propósito, esse é um sentimento que experimento quase diariamente em relação aos amigos em geral. A sensação de que não cumpro plenamente o meu papel de amiga. Os dias velozes e aliciantes embrutecem as simples ações cotidianas. Gestos antes corriqueiramente praticados, como o de uma visita não agendada ou de um simples telefonema, a perguntar pela saúde, pela família, ficam sempre na intenção, e lá se vão os dias, os meses... por vezes anos.    

            Não foi diferente quando soube da morte de João Alves das Neves, noticiada aqui no último post.

            A incômoda sensação de que falhei com o amigo, não praticando nenhuma desses simples gestos nos últimos meses, permaneceu todos estes dias comigo. Incômodo remorso que transformo em lição. Em termos de amizade, não se deve adiar nada, muito menos em relação a quem já passou dos 80 anos, mesmo que o octogenário, como era o caso do Prof. João, não cogite da "visita indesejada" e faça projetos como quem vai chegar aos 100.   

            Como forma compensatória e homenagem póstuma, desde o último dia 12, leio a sua obra e lembro.

            Conheci o Professor João Alves das Neves em meados de 1989. Já o conhecia sem o conhecer. Conhecia de lê-lo e isso já não é pouco. Já tinha lido alguns de seus livros e acompanhava seus textos no jornal O Estado de São Paulo (um dos maiores do Brasil, onde foi editorialista por mais de 30 anos, jornal que agora "retribui" seus serviços dedicando-lhe uma pífia nota na coluna de "Falecimentos") e no Jornal de Letras, de Lisboa. Da apresentação passamos a uma camaradagem que permaneceu nestas últimas duas décadas.

            Já no ano seguinte, 1990, a seu convite, participei do I Encontro dos Intelectuais e Artistas Portugueses do Brasil, promovido pelo Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa, instituição por ele presidida e fundada em 1987.

            Esses encontros, posteriormente internacionais, treze ao todo, sempre idealizados por ele, discutiram importantes questões literárias e culturais no âmbito dos países de língua portuguesa e foram realizados em cinco estados brasileiros (São Paulo, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraná) e quatro em Portugal (dois em Lisboa e dois em Coimbra), quase sempre em parceria com importantes Universidades. O último, o XIII, foi realizado simultaneamente a um Colóquio sobre os 400 anos de Padre Vieira, no Memorial da América Latina, SP, em 2008.

            Além de professor e jornalista notável, Alves das Neves foi um homem de letras que ultrapassou o papel. Incansável, suas ações, de imensa diversidade cultural, iam da promoção de seminários, encontros, colóquios e exposições, à edição de revistas, como a Revista das Comunidades de Língua Portuguesa, com 22 números, na qual tive a honra de colaborar, compondo o conselho editorial e escrevendo artigos. A abordagem priorizava as questões culturais luso-brasileiras abarcando os 8 países de língua portuguesa.

            Pesquisador e divulgador incansável da literatura portuguesa no Brasil, dedicou vários números dessa revista a escritores e vultos da história luso-brasileira, como Fernando Pessoa (a figura central dos estudos do Instituto que levava seu nome); Padre Antonio Vieira, Padre Manuel da Nóbrega, Jaime Cortesão, João Ramalho, bem como números dedicados a Macau, Timor, e outros assuntos de igual relevância, quase sempre resultantes de temas apresentados em colóquios e seminários.

            Com ele viajei a Paris (em 1991 - Colóquio “A IMPRENSA DE LINGUA PORTUGUESA NO MUNDO”, na Embaixada de Portugal na UNESCO, a Coimbra (1997, quando carreguei comigo toda a família) e a Fortaleza (2000) e partilhei de sua inesgotável curiosidade intelectual e prazer das viagens.

            Hoje me pergunto como pude conviver tão de perto e manter tão estreita camaradagem com alguém que possuía ideias e posturas políticas diversas das minhas. Muito simples, nosso elo foi a paixão pela literatura (Fernando Pessoa na linha de frente - quantas lições sobre o Poeta eu recebi). A vontade comum em contribuir para re-ligar ações entre os dois países também nos unia.  Jamais falamos de política (partidária, no caso). Discutíamos políticas públicas culturais do Brasil e de Portugal e de suas respectivas instituições, mas jamais inveredamos por caminhos ideológicos. Tácito e cavalheiresco acordo, sabedores que éramos do pensamento um do outro, respeitando-nos um ao outro.

            Em outubro de 2008, logo após o encontro no Memorial da América Latina,  escreve-me uma carta o Professor, comunicando sua demissão "irrevogável" ao cargo de presidente do CEAFP, alegando motivos de saúde. Pedia-me que o substituísse (à época eu ocupava o cargo de vice-presidente da entidade). Recusei e justifiquei, entre outros, com os seguintes argumentos: "Por fim, e mais importante, é que não me sentiria à vontade substituindo-o na direção do Centro de Estudos, pelo simples motivo de que, apesar de ter ocupado cargos em sua diretoria (para mim, muito honrosos diga-se) as idéias e as ações culturais que sempre moveram o CEAFP (louváveis, imprescindíveis, que deixaram frutos e ficarão como contribuição intelectual da mais alta relevância na cultura lusófona) foram suas,  sempre suas, como bem sabe, e a marca de sua marcante personalidade de homem de letras e de cultura ali ficou, ali está. Pouco participamos, pouco contribuímos todos nós, com toda essa bela história. Ali há uma marca, a sua, que, no meu modesto modo de  ver, não pode ser transferida, sob pena do Centro vir a ser outra coisa e, se é para ser outra coisa, que seja criada outra coisa."

            Logo a seguir, em assembléia própria, o Instituto encerrava legalmente suas atividades. Convencido, mas não conformado, imediatamente (fevereiro de 2009) rebatiza o grupo remanescente do Instituto como  "Círculo Fernando Pessoa" e funda o blog "Revista Lusofonia - blog dos países de língua portuguesa)" para onde passa a direcionar os textos (seus e de todos nós). Mudavam-se os tempos, mas a sua inquebrantável vontade não. Assim, o "seu" Instituto ganha uma nova forma de vida, virtual e dinâmica, acrescentando também um pouco mais de vida àquela, fisicamente, , já no seu ocaso. O corpo cedeu, mas o espírito não. É esse que ficará, traduzido naquilo que escreveu o Prof. João Alves das Neves. Comigo, ficará também a lembrança da boa e profícua camaradagem intelectual e humana. (dtv).

 

E.T.: Mal coloquei aqui o ponto final, veio-me outra pergunta (cada vez mais tenho perguntas e menos certezas): seria conveniente a publicação de um texto aparentemente  auto-referente, quando a sua finalidade era simplesmente a de homenagear o outro? Como diria o Mestre Bandeira, perdoem-me, mas não pude ser outra coisa, tendo em vista meus caminhos, honrosamente, diga-se, cruzado tantas vezes com o os do nosso homenageado.

 



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h05
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Falecimento de João Alves das Neves

Consternada, acabo de receber a notícia do falecimento hoje, em Lisboa, do insigne professor João Alves das Neves, meu amigo. O velório ocorrerá na capela de Pisão de Coja, sua terra natal, na região da Beira Serra, em Portugal, e o sepultamento, na mesma localidade, ocorrerá no próximo sábado, 14 de Janeiro, às 15 horas - horário de Portugal. Emocionada, limito-me a reproduzir a nota oficial do falecimento:

 

João Alves das Neves tinha 84 anos e era uma das mais queridas e importantes figuras intelectuais da comunidade luso-brasileira. Nascido em Arganil, na Beira Serra, foi ensaísta e jornalista. Estudou em Lisboa, no Porto e em Paris, onde se formou na École Supérieure de Jornalisme. Em Lisboa foi redator do Diário Ilustrado e da Agência France Presse, tendo também colaborado nos jornais Primeiro de Janeiro, Diário Popular, Nova Renascença e na revista Ocidente. Entre 1951 e 1954, trabalhou na Radiodifusão Francesa. Fixou-se no Brasil em 1958, onde foi redator e editorialista do jornal  O Estado de S. Paulo. Dirigiu a revista Portugália, a revista Comunidades de Língua Portuguesa e a Gazeta do Descobrimento. Foi professor na Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero, na qual chefiou o departamento de Jornalismo. Lecionou ainda na Escola Superior de Jornalismo e no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Empresa, no Porto. Autor de cerca de duas dezenas de obras que abordam vários aspectos das letras portuguesas, brasileiras e africanas.

Foi presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa, que pesquisava a cultura Luso-Brasileira e organizador de congressos que aproximaram nossa comunidade. Até o momento presente, era diretor cultural do Clube Português.



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h25
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O mar e o poeta do mar

Andei a contemplar o mar nesta semana e recordei-me de um poeta lido com devoção na minha juventude, o santista Vicente de Carvalho (1866-1924), também conhecido como "o poeta do mar". Sabia de cor seus poemas, em especial, Velho Tema e aquele soneto sem título que inicia assim "eu Cantarei de amor tão fortemente / com tal celeuma e com tamanhos brados"... Com os olhos e pele ainda pelo verde marinho impregnados, neste retorno ao planalto, tiro da prateleira o volume "Poemas e Canções" e resgato o encantamento de outrora diante dessa elegíaca voz, hoje injusta e inexplicavelmente esquecida.

Aí vai a homenagem ao velho poeta, da velha leitora:

 

Velho tema

 

Só a leve esperança em toda a vida

Disfarça a pena de viver, mais nada;

Nem é mais a existência, resumida,

Que uma grande esperança malograda.

 

O eterno sonho da alma desterrada,

Sonho que a traz ansiosa e embevecida,

É uma hora feliz, sempre adiada

E que não chega nunca em toda a vida.

 

Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa que sonhamos

Toda arreada de dourados pomos,

 

Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos

E nunca a pomos onde nós estamos

 

 

Alguns excertos do longo poema "Palavras ao mar"

 

 

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias! Tigre

A que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pelo!

Junto da espuma com que as praias bordas,

Pelo marulho acalentada, à sombra

Das palmeiras que arfando se debruçam

Na beirada das ondas - a minha alma

Abriu-se para a vida como se abre

A flor da murta para o sol do estio.

 

(...)

 

Mar, belo mar selvagem

Das nossas praias solitárias!

Tigre de que as brisas da terra o sono embalam,

A que o vento do largo eriça o pêlo!

Ouço-te às vezes revoltado e brusco,

Escondido, fantástico, atirando

Pela sombra das noites sem estrelas

A blasfêmia colérica das ondas...

 (...)

Ah, se o olhar descobrisse

Quanto esse lençol de águas e de espumas

Cobre, oculta, amortalha!... A alma dos homens

Apiedada entendera os teus rugidos,

Os teus gritos de cólera insubmissa,

Os bramidos de angústia e de revolta

De tanto brilho condenado à sombra,

De tanta vida condenada à morte!

 

(...)

 



Escrito por Dalila Teles Veras às 22h07
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Um filme, antes do mar

Antes de descer a serra para olhar, cheirar, sentir o mar, flanar uma vez mais pela cidade (quase) irreconhecível de tão tranquila. Um filme, um café, uma volta a pé pela Paulista.

O filme: O último dançarino de Mao. Quequeéisso?! Fiquei doída de tanta beleza!  Nietszche que em tudo excedia, disse que "só acreditaria em um Deus se esse deus fosse bailarino".  Lembrei disso durante o filme, não sei exatamente em que momento, mas a beleza tem o poder de nos aproximar do sagrado.

Tudo bem, alguns cricríticos falaram mal, que o filme é piegas, repleto de estereótipos e clichês, essas coisas. Ora bem, o cineasta australiano, Bruce Beresford (aquele do igualmente maravilhoso Conduzindo Miss Daisy, que os cricríticos também encheram de rótulos, os mesmo de agora, mas que tudo mundo adorou, inclusive a Academia, concedendo-lhe o Oscar), ao que me parece, quis apenas contar uma história, real, um drama verdadeiro. Baseou-se no livro autobiográfico do bailarino chinês Li Cunxin. Li, hoje residente na Austrália, alçou prestígio internacional ao dançar na Companhia Houston Ballet, nos EUA, onde chegou em 1979 como bolsista e rapidamente ganhou o estrelato. Recusando-se a voltar à China (veio com a condição de retornar em três meses) e com isso, causa um cismo diplomático (Mao e seu regime nos estertores). Consegue ficar, mas é proibido de voltar à terra natal.

Ora, a crítica cobra do filme um aprofundamento (nas questões políticas, culturais, multiculturais, globalização, guerra fria, sei lá mais o quê!), mas o que se trata ali é de uma história dramática de superação e, sobretudo, dessa arte maravilhosa que é o ballet clássico. O realizador certamente se pautou na visão do autor que, é óbvio, devia ser aquela mesma, de menino ingênuo (ele tinha 11 anos quando foi levado pelo regime para Pequim e 17 quando foi para os EUA), deslumbrado e ao mesmo tempo perturbado com o choque cultural (não li o livro que foi publicado no Brasil pela editora Fundamento, em 2007, sob o título "Adeus China: O último bailarino de Mao"). Ainda assim, está lá contextualizada a época, ainda que seja em pinceladas, posto que este não era o propósito, acredito.

O ator bailarino protagonista, Chi Cao (maravilhoso) foi selecionado pelo próprio autor  e é filho de dois professores de Li Cunxin quando dançava na Companhia de Madame Mao em Pequim. Afora esse tributo comovente, o ator mostra que mereceu a escolha do mestre. Gostei, gostei. Os números, em especial, o do Lago do Cisne e dom Quixote são arrebatadores e Chi Cao idem.

Assumo minha " pieguice" e recomendo o filme com entusiasmo, em especial para aqueles que, assim como eu, estejam em recesso  e desejem momentos de pura leveza (que para ficar ainda mais piegas, rima com beleza, rima pobre, admitamos nós!). dtv



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h32
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No meio do caminho: a poesia

A caminho do cinema, na estação trianon, a poesia

 

 

Recipientes poéticos ofertados ao olhar. A poesia que esbarra nos apressados passantes, a poesia no caminho, no caminho a pedra... a inesperada poesia no caminho de milhões

 

 

Neste dia inicial e pós-festa, nem todos os passantes estão apressados e, desarmados, aceitam o convite. Param, olham, apreciam... 

 

 

 

A poesia, sinal vermelho, indicando (novos) caminhos e (novos) olhares

 

 

 

Alguns passantes, param, olham e... fotografam (o registro do olhar? documento para "histórias breves", outras histórias visuais)

 

 

Outros, identificações atávicas, rendem-se

 

 

à arte, ao traço, à palavra, à proposta... fados

 

 

Em tempo: Esta instigante exposição de poesia visual é da artista Constança Lucas, portuguesa radicada em São Paulo e está patente até hoje num espaço inusitado (ao menos para o quesito "poesia"), na estação Masp Trianon do Metrô de São Paulo e, a seguir, vai para outras estações. Os passantes (apressados ou não) nos próximos dias esbarrarão com estas obras lá na Sé. Não deixem de aprecia-las, combustível espiritual para a viagem (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h48
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Arquiteturas

Na última quarta-feira fui ver algumas exposições agendadas há algum tempo (delícia passear pela velha cidade de São Paulo esvaziada em pleno "dia de semana"!).

Uma delas, foi marcada pela simbologia de um reencontro: almandrade - pinturas esculturas poemas visuais objetos desenhos instalações, na Caixa CULTURAL São Paulo (Praça da Sé) desde o início deste mês. Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade) é um artista baiano, homem de sete instrumentos (Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de Teoria da Arte), cujo trabalho acompanho e admiro há muitos anos.  

 

 

Quando falo em reencontro, refiro-me ao reencontro com a arte de Almandrade, posto que só o conheço através dela e aos "milagres" do correio. Ao chegar a casa, imediatamente fui aos arquivos à procura de uma resenha que escrevi sobre um livro de Almandrade (publicada em 2001 no Boletim Abecês, da Livraria Alpharrabio, na coluna Livros Fora do Eixo, posteriormente reproduzida pelo saudoso Zanoto, lá no Correio do Sul, em Minas Gerais e... lá estava, papel já um tanto quanto amareladinho por uma década no arquivo. Não resisto à tentação de reproduzi-la, como forma de homenagem a esse grande artista, poeta e pensador da arte nestes dias reencontrado em São Paulo:

 

Arquitetura de Algodão

Tempos atrás. Um sebo, sempre relicário da literatura. No pó, um minúsculo livro, encantador. O nome de seu autor de há muito me era familiar. Arquiteto que fala de arte e cidades com invulgar propriedade em várias publicações culturais destes brasis. Não por acaso o título do livrinho de poemas é Arquitetura de Algodão. Os poemas, sibilinos, são fiéis à arte praticada por seu autor, Almandrade: "nudismo abstrato", conforme classifica Décio Pignatari. O livrinho, artesanal, vai para o pódio, a minha estante dos bons poetas brasileiros, à qual sempre acorro, questão de sobrevivência.

Graças a esses caminhos sempre insuspeitados por onde se cruzam as almas cativas da arte e da palavra, chega-me via correio um outro minúsculo livro, desta vez enviado pelo próprio Almandrade: "A Arte de Almandrade - Textos de Décio Pignatari, Hasroldo Cajazeira e Luiz Rosemberg Filho. Pronto, esta li confirmada, por outras vozes mais abalizadas, a minha suspeita sobre a excelência do artista-poeta: "Objetos bons para pensar, os trabalhos de Almandrade se divertem com a inteligência, são como que máquinas devoradoras de leitura (Haroldo Cajazeira). falava o crítico dos trabalhos-esculturas-instalações plásticas mas essas interpretações poderiam perfeitamente servir para pensar os seus poemas, também eles trabalhos visuais.

Agora, novamente pelas vias do velho correio, chega-me um belo volume, 130 páginas, com o mesmo título daquele minilivro (ensaio deste?) editado pela Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia, 2000. Difícil saber onde começa o artista, o arquiteto, o poeta. O certo é que eles estão amalgamados, como bem o mostra este poema: "Arquitetura sem Parede - Na suavidade / de um toque / o gozo roça o desconhecido / o saber descobre imagens / a respiração é a vibração de um mundo imaginado / a pintura revela / o azul obsceno da paisagem.

Se não tiver paciência de esperar um exemplar desses títulos chegar a um sebo (isso às vezes demora anos), tente com o autor que mora na própria Rua da Paciência, 207, ap. 102, 40210-220 - Salvador - BA"

 

 

 

Em tempo: A exposição de Almandrade vai até o dia 26 de fevereiro de 2012 e, com sorte, talvez ainda se possa encontrar o excelente catálogo que a Caixa editou, distribuído gratuitamente aos visitantes. Outra exposição de Almandrade, "Um olhar do artista sobre seu trabalho" também pode ser vista no Museu de Arte Moderna da Bahia, até o dia 12.2.12 leia mais, AQUI. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h24
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Poesia... mais um

Neste tempo de entrefestas, nada melhor do que ler poesia que sempre diz tudo, já que sobre o Natal muito já falei (e muito, familiarmente, vivencio) e sobre o Ano Novo muitos falaram (e muito falarei)

 

A poesia

 

Houve um tempo

em que Schmidt e Vinicius

dividiam as preferências

como maior poeta do Brasil

Quando por unanimidade ou quase

nesse jogo tolo

de se querer medir tudo

Drummond foi o escolhido

ele comentou

alguém já me mediu

com fita métrica

para saber se de fato sou

o maior poeta?

 

Estava certo

Pois a poesia

quando ocorre

tem mesmo a perfeição

do metro -

nem o mais

nem o menos

- só que de um metro nenhum

um metro ninguém

um metro de nadas

 

Que ninguém se iluda com esta aparente "facilidade coloquial" do autor, Francisco Alvim, ou simplesmente Chico Alvim, como é conhecido por seus pares e como um dia assinou seus poemas.

O livro O METRO NENHUM, Companhia das Letras, 2011, no qual está inserido este poema e do qual, como se vê, foi retirado o título, reúne sua produção poética posterior a Elefante, publicado pela Companhia das Letras em 2000. Naquele mesmo ano a Editora Cosacnaify reuniu num só volume toda sua produção poética, desde Sol dos Cegos, 1968.

Façamos as contas:  87 poemas em 10 anos, média de um poema por mês! O próprio autor oferece as chaves para compreensão desse "metro" e "ritmo" de escrita: ao ser convidado pela Editora a organizar os poemas daquele período, Alvim concordou com a seguinte ressalva "Desde que com direito a mudar e pedir prorrogação no último minuto do último segundo. E preservado o sagrado direito de roer a corda por motivo ético indubitável". Assim, o poeta levou mais de um ano na tarefa de organizar, reescrever uns e escrever outros poemas. Daí, dá pra perceber, que não há facilidades em poesia, só dificuldades, impostas, sempre, pelo próprio poeta.

 

Tido por alguns como herdeiro oswaldiano (ao menos neste "Não disse? Eu sabia" deste novo livro, o parentesco com o célebre "Amor humor" de Oswald fica evidente) Alvim vai além do mestre na  radicalidade experimental, não só na concisão, mas, sobretudo, na ironia do olhar sobre o cotidiano. Em certos poemas, essa radicalidade (leia-se hermetismo)  chega a ser desconcertante. Um biscoito que, se já não era comido pela massa na década dos vinte, dificilmente o será hoje, como preconizou o protagonista de 22. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h31
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Poesia... Perguntas...

O caso do século

 

Era para ter sido melhor que os outros o nosso século xx.

Agora já não tem mais jeito,

os anos estão contados,

os passos vacilantes,

a respiração, curta.

 

Coisas demais aconteceram,

que não eram para acontecer,

e o que era para ter sido

não foi.

 

Era para se chegar à primavera

e à felicidade, entre outras coisas.

 

Era para o medo deixar os vales e as montanhas.

Era para a verdade atingir o objetivo

mais depressa que a mentira.

 

Era para já não mais ocorrerem

algumas desgraças:

a guerra por exemplo,

e a fome e assim por diante.

 

Era para ter sido levada a sério

a fraqueza dos indefesos,

a confiança e similares.

 

Quem quis se alegrar com o mundo

depara com uma tarefa de execução impossível.

 

A burrice não é cômica.

A sabedoria não é alegre.

A esperança

já não é aquela bela jovem

et cetera, infelizmente.

 

Era para Deus finalmente crer no homem

bom e forte

mas bom e forte

são ainda duas pessoas.

 

Como viver - me perguntou alguém numa carta,

a quem eu pretendia fazer

a mesma pergunta.

 

De novo e como sempre,

como se vê acima,

não há perguntas mais urgentes

do que as perguntas ingênuas.

 

Este poema, atualíssimo (os bons poemas são sempre "atuais") que vem a propósito deste final de ano e, de certa forma também de década que já deixa longe o século XX,  é de Wislawa Szymborska (pronuncia-se mais ou menos Vissuáva Chembórska, diz Regina Przybycien, a excelente tradutora) e foi publicado no livro "poemas", Companhia das Letras, 2011, o melhor livro de poesia que li neste ano. A língua polonesa, tão desconhecida e impronunciável para esta escriba, ainda que falada por 60 milhões de pessoas, foi distinguida quatro vezes com o Prêmio Nobel, curiosamente, duas vezes atribuídos a poetas: o primeiro foi Czeslaw Milosz, em 1980, e o segundo para Wislawa, em 1996, ambos até hoje pouquíssimo conhecidos no Brasil (tenho um pequeno e precioso volume de Milosz em minha biblioteca, "Não mais", na coleção poetas do mundo, da Editora UnB, e da Wislawa, conhecia alguns poemas traduzidos por Aleksandar Jovanic numa coletânea de poetas eslavos. Vozes poderosas (Milosz morreu em 2004, aos 93 anos) e Szymborska nasceu em 1923 e ainda vive) que bem souberam dizer do Século que suas vidas longevas atravessaram e que bem merecem leitura e conhecimento em nossos alegres trópicos. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 23h00
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Catando milho

Recolhida na caverna (que medo! a loucura nas ruas... a loucura nas pessoas), assumindo-me antiga, voltei, como se dizia no meu tempo a "catar milho". Claro que todo aquele(a) que hoje esteja abaixo da linha dos sessenta não tem a menor ideia do que seja essa expressão (catar milho). Explico: Pelos muitos e valorosos serviços prestados à escriba, havia aposentado há um bom tempo, minha velha Olivetti Studio 45 e foi com grande remorso que a reencontrei empoeirada, engrenagens emperradas, em deplorável estado de abandono.

 

 

Erro reconhecido, mandei lubrificar a maquininha, colocar uma fita nova (preto e vermelho) que agora, reluzente e poderosa, volta à ativa, disputando espaço com o Windows7 e sua igualmente reluzente e poderosa tela.

 

 

O único problema é que da ligeireza datilográfica de antes, só sobrou mesmo a memória. Agora, os dedos viciado à leveza do toque eletrônico, voltaram a "catar milho" nas outrora tão familiares teclas suspensas. Não faz mal, já, já, volto à antiga forma (afinal, só mesmo pessoas antigas possuem esse tipo de capacidade). Por hora, vou datilografando os nomes dos destinatários e respectivo remetente nos envelopes (ah! sim, ainda mando cartas pelo correio antigo) e... bem... reinventando novos usos para a tão estimada (agora sei) máquina de escrever que, por mais de duas décadas, esteve a meu serviço. (dtv)



Escrito por Dalila Teles Veras às 22h14
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